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Revitalizar a Linha do Douro Ligação entre o Pocinho e Barca de Alva


A revitalização da Linha do Douro para fins turísticos, com a ligação entre o Pocinho e Barca de Alva como pedra de toque, pode ser assumida pelas duas autarquias de Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo.

O ministro Mário Lino já veio dar o seu aval, desde que as câmaras assumam a exploração.

As duas autarquias da região da Guarda com interesse na revitalização da Linha do Douro, admitiram assumir as suas responsabilidades no processo de revitalização do troço entre Pocinho e Barca de Alva para fins turísticos.

A reacção dos autarcas surgiu depois de o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, ter afirmado, segunda-feira à noite em Viseu que, se houver um projecto em que as Câmaras Municipais queiram assumir a exploração dessa linha com o nosso [do Governo] apoio, nós estamos disponíveis para apoiar.

Confrontados com as declarações de Mário Lino, os presidentes das câmaras municipais de Vila Nova de Foz Côa e de Figueira de Castelo Rodrigo, afirmaram que estão receptivos a encontrar uma solução para a exploração do troço da linha-férrea que foi desactivado em 1987.

Temos que encontrar forma de alguém explorar a Linha, disse o autarca socialista de Vila Nova de Foz Côa.

Emílio Mesquita considerou que a sua exploração tanto pode ser feita por privados como por autarquias ou por uma parceria entre autarquias e privados. Há colegas autarcas, e a Câmara de Foz Côa também, que estão disponíveis para qualquer uma destas soluções, afirmou.

Contudo, adiantou que pela forma como o ministro das Obras Públicas se referiu ao assunto é uma maneira aceitável de passar a bola para aqueles que a reivindicam, neste caso, os autarcas. Eu estou de acordo [com a reabertura da linha para fins turísticos] e também não me calo, frisou. Quando o Governo diz que disponibiliza fundos mas nós temos que encontrar uma maneira de rentabilizar [a linha], temos de dar uma resposta satisfatória a esta questão, admitiu.

À espera da REFER

Emílio Mesquita também considerou que a REFER ainda pode mudar de ideias em relação ao projecto e adiantou que não é, seguramente, por falta de entidades para gerir e explorar a linha, que ela não será revitalizada.

Por sua vez, o autarca de Figueira de Castelo Rodrigo, António Edmundo, referiu que face a este bom eco que a iniciativa está a ter junto do Governo, estamos disponíveis para assumir a nossa responsabilidade.

Para nós é muito bom, porque sabemos que vamos assumir alguma quota-parte de responsabilidade, porque a CP não explora troços para fins turísticos, acrescentou.

Referiu que o primeiro passo é a recuperação da linha com fundos do Quadro Comunitário, aos quais a REFER se pode candidatar, e para a rentabilização deve abrir-se um concurso para privados. Caso não apareçam os privados, deve abrir-se uma parceria público-privada, com as autarquias a apoiar, defendeu. António Edmundo reconheceu que a linha poderá traduzir-se num grande exemplo de inovação e de desenvolvimento para a região.

Estamos na disponibilidade de assumir algumas responsabilidades porque achamos que é rentável. Os milhares de pessoas que hão-de vir ao Museu do Côa e ao Douro Vinhateiro, que hoje circulam no Douro fluvial, hão-de querer visitar o Douro ferroviário, disse.

Assinalou que a exploração turística da linha não o assusta, porque haverá privados interessados em fazê-lo.

O mais difícil será recuperar a via, porque já um privado me disse que depois de estar lá a linha ele punha lá o comboio, observou. Adiantou que dados disponibilizados pela REFER indicam que a recuperação do troço de 28 quilómetros entre Pocinho e Barca de Alva representam um investimento de cerca de 15 milhões de euros e que os custos com a manutenção anual rondarão os 800 mil euros.

As estimativas do autarca também indicam que, logo no primeiro ano de funcionamento, o comboio transportaria entre 150 a 200 mil pessoas.

Acrescentou que já pediu a marcação de uma reunião com os autarcas de Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta para se começar a pensar na operacionalidade da linha, uma vez recuperada.

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A saber...

Desenvolvimento

Para o presidente da Associação Comercial da Guarda (ACG), Paulo Manuel, a instituição tem todo o interesse que a linha [troço Pocinho - Barca de Alva] seja reactivada. Percebemos que o turismo é um dos sectores mais importantes para o desenvolvimento do distrito da Guarda, admitiu. Apontou que na zona norte do distrito existem temas diversos que são muito apelativos do ponto de vista turístico e que a revitalização da linha contribuirá para o reforço do turismo na

região. Traz riqueza, é bom para a região, para os empresários e a ACG está disponível para acompanhar e apoiar o processo conducente à recuperação do troço, concluiu. A Comissão de Revitalização da Linha do Douro anunciou na segunda-feira a realização de uma convenção para alertar o governo para os problemas que a infra-estrutura enfrenta e defender a reabertura do troço entre Pocinho e Barca de Alva. A convenção terá lugar em Barca de Alva, a 9 de Dezembro.

PJ, 2007-11-28


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http://www.diariodetrasosmontes.com/noticias/complecta.php3?id=11968

Diário de Trás-os-Montes.com ,


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